Quando um hospital utiliza inteligência artificial para melhorar diagnósticos, reduzir complicações ou apoiar decisões clínicas, isso é visto como uma inovação.
Quando um médico utiliza protocolos e medicina baseada em evidências para escolher a melhor conduta, isso é visto como uma excelente prática.
Quando a indústria desenvolve tecnologias capazes de aumentar a efetividade dos tratamentos, isso é celebrado.
Mas, quando os mesmos dados, algoritmos, auditoria clínica ou modelos preditivos, são utilizados para orientar decisões sobre reduzir desperdícios, identificar variações injustificadas ou promover maior eficiência assistencial, o debate frequentemente muda de tom.
Por quê?
Os dados são os mesmos. A tecnologia é a mesma. A ciência é a mesma.
O que muda são as consequências que a eficiência produz.
Quanto mais informação qualificada existe, menor é a assimetria de informação. E quanto menor a assimetria, maior a capacidade de medir resultados, comparar condutas e qualificar decisões.
Talvez o verdadeiro desafio da saúde não seja tecnológico. Seja construir incentivos para que a eficiência deixe de ser percebida como ameaça e passe a ser um objetivo comum.
Porque o problema nunca foi o uso dos dados. Sempre foi o que eles revelam…
Artigo de Rogério Scarabel, Sócio do M3BS Advogados
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